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Dezembro 31, 2003 :::
 Vambora fazer aqueles planos todos que provavelmente não iremos cumprir - mas fazer planos é tão bom! Vambora esperar novamente que a vida seja azul, porque vida se alimenta de esperança! Vambora, porque ir é mais importante do que chegar! Vambora fazer e refazer as mesmas coisas, mas desta vez com um toque mágico e diferente! A gente se encontra lá, em 2004! ;)
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meraluz at 6:49 AM - post nº
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Dezembro 29, 2003 :::
Vou deixar por aqui um Conto de Ano Novo, que fiz não sei quando. Um Feliz 2004 pra vocês, pro mundo!
Conto de Ano Novo - Volta ao tempo que não volta
Reencontraram-se na rua por acaso, e para a total surpresa de ambos. Quase um susto transcendental. Teria sido um reencontro comum, não fosse o longo e silencioso hiato de doze anos em que não mais se souberam. Ele a convidou para almoçar no restaurante mais próximo. As mudanças físicas não iam além de uma ou outra ruga. Neste aspecto, o tempo fora, de certa forma, generoso. Mas, em compensação, havia todas as outras mudanças do mundo.
Experimentavam agora uma espécie de transe, tomados pela emoção e por uma confusão de inexplicáveis sentimentos atemporais. Quase não tocavam em seus pratos. Não sabiam o que dizer. O último encontro havia sido a legitimação do desencontrar, a dor da despedida. Juntos, dividiram no passado um bom pedaço do tempo e os estertores de uma história de amor tão grande que acabou por derrotá-los. Desde a separação definitiva, não mais se falaram. Foram calados pelos ecos dos antigos superlativos - de alegria e de desespero. O fato de não mais terem se visto parecia ter sido motivado por uma espécie de compromisso tácito, por uma ética interna de não se tocar em feridas...continua
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meraluz at 1:04 PM - post nº
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Dezembro 25, 2003 :::
Não é preciso cegar os olhos para ouvir a voz do coração
 Diante dos eventuais impasses que a vida, em seu inapelável curso, costuma nos impor, não faltam vozes para dizer: "Deixe o coração falar mais alto!" Uma vez, perguntei a um desses conselheiros de plantão o que ele queria dizer com isso exatamente. A resposta veio imediata:
- Ora, libere a emoção, mulher! Viva o momento antes que ele escape nessa vida breve. Pare de pensar e de digladiar com você mesma!
E continuou sua digressão, em tom ufanista e urgente, quase um indicativo de ansiedade. Eu já não prestava mais atenção ao seu discurso - que provavelmente iria ser esquecido dentro meia hora. Já havia entendido tudo, a confusão que as pessoas costumam fazer entre "ouvir o coração" e viver passionalmente.
Não valeria a pena tentar lhe explicar que eu não era surda ao coração, só por não fazer alarde ou agir atabalhoadamente. Ouvir o coração não é, necessariamente, essa ansiedade de satisfazer as demandas imediatas. Ao contrário, é tão profundo que, às vezes, só o silêncio consegue o melhor tradutor. É refletir e fazer longas viagens pelas nossas Atlântidas - reinos perdidos - interiores.
Interrompi meu interlocutor para mais uma pergunta, desta vez retórica. Pois já poderia adivinhar-lhe a resposta.
- Então você acha que eu não ouço meu coração? Que calo minhas emoções?
Em sua ansiedade de "viver o momento" e apologia da causticidade das emoções, jamais iria ele compreender o que é, de fato, ouvir o coração. Não se ouve de verdade um coração sem o tempo das contemplações. Partir célere para a satisfação de um desejo imediato é o movimento mais curto para as colisões, para o desenvolvimento de enredos superficiais e mal acabados. A isto denomino urgência emocional, ou, mais diretamente falando, ansiedade da alma. Parece ter mais a ver com o processamento das adrenalinas que pululam descompassadas no sistema neurotransmissor.
Quem ouve profundamente seu coração é tomado de certezas calmas, por vezes eternas, e caminha sem pressa em direção às profundezas. E caminhar em direção às profundezas não significa abotoar-se em conformismos ou não se emocionar. Se você for um bom ouvinte, quando menos esperar, as respostas estarão todas ali descortinadas à sua frente, apontando para um convidativo e "emocionante" caminho aberto. O real caminho do coração.
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meraluz at 8:19 PM - post nº
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Mensagem para Lady Jane
Perdoe, minha grande amiga, os meus freqüentes adiamentos para visitá-la. Por ter deixado sempre para amanhã a nossa conversa sobre literatura, "causos e cousas", o nosso chá - confesso não gostar de chás, mas tomar chá com você era sempre um ritual festivo. Por debitar minhas faltas às correrias inócuas do dia-a-dia.
Sempre achei que um dia chegaria a tempo de lhe encontrar. Sempre achei que me esperaria. Reencontrarmo-nos, depois de tantos anos, era um desejo grande, muito grande. Não bastavam nossas demoradas conversas ao telefone, um verdadeiro exercício de existencialismo sartriano, queria mesmo revê-la. Queria que me esperasse. Deveria ter querido muito mais, creio eu. Deveria ter querido como se cada dia fosse o último e o primeiro; sem achar que os personagens de nosso afeto são imortais. Na verdade eles são. Você é e sempre será. Só que não podemos deixar de lembrar que, mesmo eternos, esses personagens podem partir de repente.
E você partiu assim impune sem me esperar, deixando-me com tantas boas lembranças que só não são melhores porque não consigo tocá-las. Lembro nitidamente de suas risadas, da força da sua existência, e de que me viu como gente de verdade, como um autêntico ser humano, porque você era, naquele tempo e em todos os outros, um autêntico ser humano. Saudades eu já sentia. Mas a possibilidade de um telefonema sempre atenuava essa saudade. E essa saudade continuada agora recrudesce, porque não poderei mas ouvir sua voz ao telefone, porque terei de retirar dos meu planos um fim-de-semana em Teresópolis com você. Ah, Lady Jane... Você era uma autêntica lady. Não, não quero falar com ares de idealização, nem redesenhar imagens perfeitas com essas lembranças. Você era um ser humano na medida certa, com erros e acertos, mas com tantos sonhos, e com tanta garra para lutar por eles, que fazia a gente acreditar que tudo era possível.
Agora deve estar com as estrelas. Decerto, explorando algum possível mistério nessa nova dimensão da vida, como era bem do seu jeito. Espero que tenha, afinal, encontrado a luz. De alguma forma, manteremos contato, estou certa. Sinto-me triste por esta inevitável certeza de que não está mais aqui, e sei que não gostaria de ver ninguém nesse estado. Como sei também que acreditava na imortalidade da alma. Então devo me recompor e seguir em frente. Obrigada por tudo o que foi para mim nesta vida. Você não foi apenas uma boa e inesquecível amiga, foi uma mulher admirável.
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PS: Jane saiu deste mundo para passear nas estrelas às vésperas do Natal. Foi minha amiga e, por incrível que pareça, minha sogra em uma determinada época. Só ela poderia tornar o "gostar de sogras" possível assim. Na verdade ela foi muito mais do que isso. Foi e será sempre.
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meraluz at 4:56 PM - post nº
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Natal. Um pouco triste pela lembrança de velhos Natais, pelas pessoas que já não estão mais aqui e pela incômoda consciência das desigualdades, tento olhar o melhor da festa: o espírito de confraternização entre as pessoas é um fato. Tudo parece mais humano e sentimental. Mas quanto ao Papai Noel, não levem a mal não, mas é um ícone inventado pelo capitalismo americano a serviço do consumo voraz. A lenda original de São Nicolau é bem diferente de tudo isso e as renas do Papai Noel adaptado não passam pela base da pirâmide social. O velhinho impostor não está nem aí para os realmente necessitados. Afora essas questõezinhas, o vinho estava bom. E eu realmente desejo um sentimento de PAZ e de AMOR para todos vocês, meus amigos, meus visitantes e quem mais vier. Vamos repensar o mundo com cores mais humanas.
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meraluz at 1:13 AM - post nº
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Dezembro 17, 2003 :::
Tirei esta foto quando da minha última visita ao Corcovado, em novembro. Achei que ficou boa. A silhueta confundiu a estátua entre os (aparentes) fiéis, dando a idéia de uma certa redução de distância entre deuses e homens. Merece ser publicada.
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meraluz at 3:31 PM - post nº
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Dezembro 12, 2003 :::
Rádio Meraluz, em sintonia com Júpiter.
Porque cantar é também uma forma de traduzir-se:
... E lá vou eu como um passarinho, sem destino nem sensatez, sem dinheiro nem pra um pastel chinês...
Voa Bicho
(Milton Nascimento)
A andorinha voou, voou
Fez um ninho no meu chapéu
E um buraco bem no meio do céu
E lá vou eu como passarinho
Sem destino nem sensatez
Sem dinheiro nem pra um pastel chinês.
A andorinha voou, voou
Fez um ninho na minha mão
E um buraco bem no meu coração
E lá vou eu como um passarinho
Como um bicho que sai do ninho
Sem vacilo nem dor na minha vez.
A andorinha voa veloz
Voa mais do que minha voz
Andorinha faz a canção
Que eu não fiz
Andorinha voa feliz
Tem mais força que minha mão
Mas sozinha não faz verão.
A andorinha voou, voou
Fez um ninho na minha mão
E um buraco bem no meu coração
E lá vou eu como um passarinho
Como um bicho que sai do ninho
Sem vacilo nem dor na minha vez.
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meraluz at 10:35 AM - post nº
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Dezembro 11, 2003 :::
Rádio Meraluz, em sintonia com Marte:
Enquanto Houver Sol (Titãs)Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde deus colocou
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
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meraluz at 9:32 AM - post nº
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Dezembro 9, 2003 :::
Luminosidades
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Se seu navegador não estiver equipado com o Java Software, baixe-o aqui para visualizar o applet:
http://java.sun.com/webapps/getjava/BrowserRedirect?locale=en&host=www.java.com:80
---------------- Sempre tive uma inexplicável atração por luminosidades. Depois da luz do pôr-do-sol, as iluminações natalinas são as que mais exercem fascínio aos meus olhos. Esta época do ano, particularmente, é uma festa de luzes, que cintilam e enfeitam ruas, residências, toda a cidade. É a melhor parte do Natal para mim, já que, de resto, as comemorações de final de ano mais parecem acentuar as desigualdades entre os homens. E não dá pra ser feliz com a lucidez desta consciência. Mas as luzes são para os olhos de todos. Estão aí para todo mundo!
Há uma poesia ingênua nesse cenário iluminado que me encanta e comove, que me leva de volta a uma infância de embevecimento e excitação para com as mais simples fenomenologias. Uma infância que insisto em não expulsar daqui de dentro. Quando inauguraram, em 1996, a primeira árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, fiquei tão extasiada quanto costumava ficar quando criança. Havia algo de mágico naquele jogo feérico de luzes, a desenhar as mais belas e inusitadas formas. Era capaz de ficar horas namorando a árvore, que parecia nascer do meio da Lagoa - como ainda sou.
Essas luzes representam a pureza democrática dos olhos. E, embora a vida seja dura, ela parece cantar nesses tempos uma canção feliz-feluz...
Acima, reuni imagens de todas as árvores da Lagoa, desde 1996 até o ano atual. Elas são mágicas. Acho que é meu modo desajeitado de dizer Boas Festas! Não sou muito boa de dizer essas coisas... Sou não... Sou não...
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meraluz at 11:14 AM - post nº
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Dezembro 6, 2003 :::
Desobediência: A virtude original do homem - Oscar Wilde Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola sentimental, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.
Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.
Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender que um homem aceite as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.
Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência de seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo asim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vive e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura nos EUA não foi uma conseqüencia da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças à conduta totalmente ilegal de certos agitadores vindos de Boston e de outros lugares,que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida que começaram tudo. É curioso observar que dos próprios escravos eles só receberam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico na Revolução Francesa não foi que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.
-Oscar Wilde, in The Soul of Man Under Socialism, 1891.
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meraluz at 10:16 AM - post nº
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Dezembro 4, 2003 :::
Furtando textos
Minha amiga Glória não há de se importar se eu republicar aqui algo que peguei no seu Sangrias, né? É que eu gostei tanto, tanto, e ela escreve tão bem, que não pude resistir. Então voilà:
BULA DO AMOR (Glória Horta)
 Certos amores curam.
Outros, mal comparando, são como alergia. Basta, portanto, não chegar muito perto. Doença ou remédio, é imprescindível saber distinguir quem colore a nossa vida de quem a inferniza. Mais que isso. Ninguém passa dos quarenta alheio a tão importante lição de Química e Metodologia. A proximidade de alguém pode ser a balsa que nos salva ou o maremoto que nos afoga quando naufragamos de amor. A convivência sufoca ou aduba o sentimento. A separação banaliza ou endeusa o que era humano. Saber distinguir, com exata precisão cirúrgica, se é hora de pular fora ou de pular em cima é uma sabedoria milenar sem aplicação prática, mas extremamente rica em poética. Um manancial de metáforas. Amores se afastam de nós sem expor claramente os motivos. Aceitemos suas escolhas porque fazemos as nossas igualmente imotivadas. O sentimento, que parecia saudável e forte, simplesmente dá o último suspiro e fenece. Para o parceiro, é a morte. Sei quem me quer e me teme e lamento ser temível. Sei quem me esquece. Também podemos ser classificados e reclassificados como maremoto ou monotonia. Entretanto, todos nós gostaríamos de ser, um para o outro, bálsamo, inferno e alegria.
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meraluz at 11:51 AM - post nº
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Dezembro 3, 2003 :::
Não é para se indignar?
O Exmo. Sr. Presidente Lula escolheu para levar com ele ao exterior a Escola de Samba Gaviões da Fiel. Ocorre que a escola de samba convidada para representar o Brasil lá fora havia sido a Portela, pela tradição de seus 80 anos de carnaval. Na última hora, o nosso presidente "curintiano" resolve substituir o samba do Rio pelo samba (??) de São Paulo. Nada contra os paulistas. Mas vamos e venhamos, a origem do samba é daqui dos nossos morros, das nossas veias. Todos sabem disto e sempre foi assim. O que que é isso, Sr. Presidente? Desde quando governantes têm de fazer essas escolhas? Que belo exemplo de isenção. Restou à Funarte pedir desculpas à Portela, velha e boa de samba. Oitenta anos de samba desprezados. "Salve o Curintiá!", né? Começo a desconfiar que o Rio vem sendo profundamente ignorado pelo nosso presidente. Mas só porque ele não é carioca??... É pouco.
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meraluz at 9:11 PM - post nº
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